Minha comunicação com a fada foi curta, mas ainda me provoca sentidos e até nostalgia.
O dialogo com fadas acontece através da luz.
A mensagem só é entendida quando o que você pretende comunicar fica claro na intensidade e cor que através do sentimento se projeta na luz.
Parece meio complicado, mas é a linguagem mais simples de todas.
Qualquer um consegue.
Não me lembro de detalhes, sei que tanto eu quanto ela éramos pequeninas e estávamos embaixo de um limoeiro. Contou-me que construiu sua casa em um espinho daquela árvore porque gostava do cheiro de limão e do formato cônico de sua casa. Não vi detalhes da decoração, mas percebi as lindas cortinas de renda que serviam de porta.
Fiquei contente por ter uma nova vizinha e amiga. Quando fui me despedir o inevitável aconteceu.
Espetei meu dedo em sua minúscula casa. Uma gotinha de sangue escorreu pelo galho. Desde então demorei para ver aquele serzinho alado.
Deixei um recado na chama de uma vela, pedindo desculpas pelo acidente.
Fui entender sua resposta somente alguns meses depois, quando as flores do limoeiro liberaram seu perfume. Ela havia se mudado para uma flor e agora só aparece em determinadas épocas e sempre em um limoeiro diferente.
Toda vez que encontro um limoeiro tento colocar o assunto em dia. Se um dia encontrar algum limoeiro florido, recomendo a agradável companhia.
As cores de Bloody Mary
ilusões, indagaçoes ,inquietações, Percepções.
quinta-feira, 30 de junho de 2011
domingo, 12 de junho de 2011
Entre um botão e outro existe o sereno e a areia.
O que nos mantém juntos:
Estar separados.
Espera feita de sentimentos espalhados nas horas,
Se guardam, preparam a entrega , sabem que os remetentes são os correspondentes de mim em ti.
Na diferença entendo o estar sozinha sem estar solta,
que no decorrer mora a intensidade do que somos.
sexta-feira, 27 de maio de 2011
Carma Maria
Todos os dias são atípicos, tem que ser na verdade. Mas sempre tem uns que são lembrados por muito tempo. Quarta-feira foi um dia desses.
Ônibus, passo mais de três horas dentro de um ônibus todos os dias, então é normal dar uma cochilada ou só fechar os olhos para abstrair assuntos alheios que acontecem em transportes coletivos. O engraçado é que em uma dessas abstrações estava refletindo sobre essas minhas sonequinhas. Eu sempre sonho, é só fechar o olho que o inconsciente começa a me dominar. Imagina se eu começo a falar e gesticular, assim como faço quando estou em casa dormindo? É claro que alguém vai gravar e colocar no Youtube! È por isso que eu sempre acho que as pessoas me olham com aquele olhar; “olha é aquela menina do vídeo!” Amigos por favor me avisem quando isso acontecer!
Só que dessa vez só estava abstraindo e não dormindo, então chegaram os malditos. Meninos de ensino médio, e começaram a zoar com minha cara, ou melhor com meu pseudo sono. Fizeram comentários maldosos e sons de ronco! Fiquei muito puta, cadê o respeito minha gente? Então foi aqui que não me reconheci, levantei cheguei perto do menino e com meu salto alto pisei o mais forte que pude no pé do muleque, olhei bem para seus olhos e pedi desculpa. Ele ficou paralisado! O sabor da vingança é maravilhoso NÉ! Mas depois de dois segundos já fiquei com remorso, afinal ele só é um adolescente que não sabe usar sua massa encefálica. Mas agora já foi.
Certa de que o ápice do dia tinha acabado, imergi nos afazeres do trabalho. Depois de mais uma viagem de ônibus, saio alegre e saltitante a caminho da faculdade, até fiz amizade durante o percurso. Eu andando e aproveitando o laço recém formado com uma moça bacana e de repente.... caí igual uma louca no meio da calçada. Ainda bem que sempre viro motivo de piada até para a mais recente amizade. Já recuperada e feliz, afinal só esfolei a calça e não meu joelho, tropeço e quebro justamente o salto que foi utilizado como arma nos pés daquele menino.
terça-feira, 17 de maio de 2011
Existir?
Descobri que boa parte de mim é feito do que não existe.
Como se houvesse partes a serem completadas ou tão escondidas que se tornam invisíveis.
Ao alcance do que sou, não do querer ser. Possível é vislumbrar um futuro para projetar-se e ir além. Impossível projetar-se sem o movimento de andar.
Para desejar estar no presente o pretérito deveria ser destrinchado, dos eus que já fui. As micro personalidades que formam o presente do ser.
Sonhar ser . Ser e sonhar.
Dualidade que divide um passo de diferença. Quando que se vai?
.... quando só se sonha, paira no ar, movimentando somente o necessário sempre no mesmo circuito de ações.
O que me move a querer ser o que ainda não sou?
...o que sei é que se eu só pensar em ser e não realizar.
Boa parte de mim não existe.
sábado, 2 de abril de 2011
Ladrão de oito pernas
Toda noite quando chego dos meus afazeres vou ao banheiro asear-me para uma boa noite de sono e de sonhos. Eu definitivamente sempre sonho. Os sonhos mais bizarros com as pessoas mais impossíveis. Volta e meia to contando os sonhos e revelo aos personagens as minhas viagens do inconsciente.
Terça-feira, em meu procedimento noturno, encontrei uma aranha em um canto de difícil acesso, Tentei esmagá-la, mas quando meu chinelo terminou o contato com a aranha e o chão, percebi que não havia um corpo morto. Procurei, não encontrei a danada, acho que bati tão forte que a dividi em milhares de micro partículas.
Quarta-feira. AH! Ela esta viva no mesmo lugar na mesma posição. Não ousei tocá-la.
Quinta-feira, já entrei armada no banheiro! Lá estava ela, Mas algo me impediu de matá-la, tinha alguma coisa de familiar naquele olhar múltiplo. Delirios de uma semana cheia. Todo mundo já deve ter passado por isso. Quando olhei de novo ela já havia sumido.
Sexta-feira, despreocupada cheguei ao meu antro de limpeza, lá estava ela, naquele mesmo lugar. Ignorei. O ato de sentar no trono nos possibilita um momento mágico, é nele que surgem os mais curiosos pensamentos. Divagando percebi que algo estava diferente, meus sonhos haviam sumido. Não me lembro dos rostos surpresos ao receberem a notícia de meus sonhos malucos.
Essa aranha fantasma está roubando meus sonhos, desgraçada!
Hoje quando eu encontrá-la vou alfinetar cada olho desse aracnídeo sem vergonha....
...continua.
segunda-feira, 28 de março de 2011
Unígeno
A ingenuidade das ações, os gestuais apressados e curiosos.
Voz que sai densa, de dentro pra fora como deságua a nascente.
Incrível a força disso tudo, vindo da criatividade, de quem teve ainda pouco contato com o mundo. O pouco vem do mundo externo, pois aquele mundo que não se mostra é gigante.
Os movimentos piscam a cada planeta descoberto em uma nota.
“Olha a música que posso fazer!”... é de olhar, comer, cheirar!
Encher todos os poros, cada um com uma cor.
Compartilhar, sem moralizar idéias genuínas desses serzinhos que ensinam muito mais que aprendem.
quarta-feira, 23 de março de 2011
Quando resistência do corpo impede, ouça a voz do seu sangue. Que não é um, mas vários. Na pluraridade de ser, constar que cada pedaço de nós pertence a um pedaço do mundo e mais de 1/3 pertencem ao que não existe.
Se o sangue fraqueja, desfalecendo a graça de viver. Vamos musicar, dançar, ler, pintar e criar. Assistir a vida no camarote da arte.
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